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sábado, 30 de junho de 2012

SAÚDE DCM - Números estratégicos da Mortalidade Materna


Fonte: Ipas BrasilPublicado 12/06/2012 

O Ministério da Saúde brasileiro divulgou no final de maio pesquisa que apontava uma redução de 21% na mortalidade materna de 2010 para 2011. De acordo com os dados, de janeiro a setembro de 2010, houve 1.317 óbitos, enquanto que no mesmo período de 2011 foram registradas 1.038 mortes.

Os números foram apresentados em reunião da Comissão Intersetorial da Saúde da Mulher (Cismu/Conselho Nacional de Saúde) pelo ministro Alexandre Padilha. Segundo o ministro, a marca é um fato histórico e deve ser creditada ao Programa Rede Cegonha, lançado ano passado e cujo alvo é a saúde materno-infantil. De acordo com o ministério, a Rede Cegonha atende atualmente a 36% das gestantes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e no ano passado, 1,7 milhão de mulheres realizaram pelo menos 7 consultas de pré-natal.

A mortalidade materna no Brasil tem apresentado queda nos últimos anos, diante da crescente atuação do Estado, que expandiu os serviços de atendimento à gestante. No ano 2000, o Brasil comprometeu-se com as metas do milênio propostas pela Organização das Nações Unidas (ONU). A iniciativa estabelece que, até 2015, o Brasil reduza para 35 mortes de parturientes para cada 100 mil nascidos vivos. De 1990 a 2010, o país experimentou redução de 120 para 56 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos, conforme relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS).

No entanto, a pesquisa divulgada pelo Ministério, apesar da política de enfrentamento da morte materna, deve ser vista com reservas, segundo a médica e demógrafa Sandra Valongueiro, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPe).

“É uma redução muito alta para tão pouco tempo. Parece estar antes de tudo ligada a uma estratégia política do governo federal”, critica Valongueiro, que integra o Comitê Estadual de Mortalidade Materna de Pernambuco.



Em entrevista, Sandra Valongueiro chama a atenção para os problemas existentes no gerenciamento de informação dos óbitos e para o modelo de saúde da mulher idealizado e promovido pelo governo federal.

O que os dados do Ministério da Saúde dizem?

Em primeiro lugar, os dados referem-se a números absolutos cotejados entre 2010 e 2011. São informações quantitativas que não nos permitem tirar conclusões consistentes. O que os números dizem é uma queda no número absoluto de óbitos, não uma queda no indicador de mortalidade materna.

Então, a comemoração do governo deve ser vista com reserva?

Sim, não podemos tomar estes números da maneira que nos foi apresentada. Parece que há uma estratégia política do governo, que, de forma ufanista, tem tentado atrelar índices às suas políticas públicas. Antes de comemorar, é preciso olhar mais atentamente a realidade para ver o que realmente acontece com as mulheres pelo país.

E o que acontece?

Temos um modelo de gerenciamento dos dados e das investigações sobre morte materna deficiente. Nos últimos anos, melhoramos a qualidade da informação, mas a administração do fluxo dos registros é lenta. Quando morre uma mulher, de acordo com a portaria 1.119/28, o hospital deve informar o óbito à secretaria municipal de saúde, que então repassa ao Ministério da Saúde, em até 48 horas. No entanto, não vemos isso acontecer plenamente.

Há, então, um problema de registro das mortes na ponta do sistema?

Sim, embora a abrangência do sistema de acompanhamento dos óbitos tenha melhorado. Penso que o problema principal é a lentidão como tais dados são repassados ao Ministério. Em municípios menores, muitas vezes tais dados nem chegam a ser transmitidos. Isso é um problema grave, que compromete o mapeamento da mortalidade materna. Os dados vêm, sobretudo, de municípios maiores. E os menores? O Brasil não é feito apenas de centros urbanos. Há milhares de cidades que ficam à margem do sistema de registro dos óbitos maternos. Portanto, comemorar redução de mortalidade materna no Brasil é uma questão delicada, pois não há um acompanhamento pleno sobre o que ocorre na imensidão do país.

O governo federal tem privilegiado suas ações na área da saúde da mulher através da Rede Cegonha. Inclusive, o ministro associou a queda de 21% ao programa. É uma explicação razoável?

No entendimento do ministro, faz sentido tal associação, se levarmos em conta que o governo tem na Rede Cegonha o carro-chefe para a questão da saúde da mulher. Mas, na minha opinião, é uma explicação imprecisa, pois a Rede Cegonha ainda não está presente em muitos municípios no país.

A mortalidade materna no Brasil tem caído nos últimos anos. É um processo lento e, sobretudo, conforme vai caindo, torna-se ainda mais difícil reduzi-la. Os investimentos têm aumentado ao longo dos anos, assim como a abrangência dos serviços de pré-natal. A diminuição da fecundidade também é um fator importante, pois quanto menos gravidezes, menos exposição das mulheres aos riscos. Mas temos alguns problemas no modelo de saúde voltado à mulher que colocam em dúvida o ufanismo do governo federal.

Que tipo de problemas?

Nosso modelo de assistência obstétrica está centrado no médico. E, como é de conhecimento público, não apenas faltam médicos como eles estão distribuídos irregularmente no país. Eles estão concentrados nos centros urbanos, o que prejudica a qualidade do atendimento nas cidades menores. A mulher do interior muitas vezes precisa ir para a cidade grande para parir. É uma trajetória complicada que aumenta os riscos de morte materna.

Além disso, o fato de apenas o médico ser a figura responsável pelo parto é uma questão para reflexão. Deveríamos ampliar o pessoal apto para o parto, como as enfermeiras. E, mais do que isso, nosso modelo de assistência ao parto está centrado no hospital, o que é uma questão problemática. Temos muitos problemas para tanta comemoração.

O governo federal tem apostado na maternidade como o elemento central da saúde da mulher, o que tem gerado muitas críticas do movimento feminista quanto à negligência a outros eventos da vida sexual e reprodutiva da mulher. Como tal orientação do governo reflete-se na vida das brasileiras?

É uma maneira reducionista de encarar a questão da saúde reprodutiva que torna ainda mais vulnerável a situação das mulheres. O ministro Alexandre Padilha tem continuamente batido na tecla da redução da morte materna face às metas do milênio. Para reduzirmos os índices atuais, que estão longe das metas, o governo precisa se esforçar mais. Tenho certeza de que uma redução consistente da mortalidade materna passa antes pelo resgate da visão integral da saúde da mulher do que pela comemoração de números. A vida de uma mulher não se reduz ao papel de mãe. Como fica a questão do aborto para o governo?

É um tema que o governo tem evitado, não?

Sim, e faz parte desta estratégia do governo de focar a saúde da mulher na questão da maternidade. É uma orientação conservadora. Não sou contra o governo incrementar os serviços de saúde materno-infantil. Mas não podemos ficar apenas nisso. O Ministério da Saúde, é preciso reconhecer, tem dado atenção à saúde feminina. O foco, entanto, precisa ser ampliado. Do contrário, penso que enfrentaremos muitas dificuldades e uma longa trajetória na redução da mortalidade materna.

Fonte: CLAM (Fábio Grotz em 06/06/2012)

SAÚDE DCM - Aborto


Fonte: Ipas Brasil - Publicado 11/06/2012 

Descriminalização, planejamento familiar e redução de danos


As complicações decorrentes do aborto são a quarta causa de morte materna, e estima-se que um milhão de gestações sejam interrompidas por ano no país. “O cálculo é feito segundo as internações decorrentes de aborto induzido. Para cada internação, supõe-se que outros três foram realizados sem resultar em complicação”, explica Maria do Carmo Leal, coordenadora do projeto Nascer no Brasil: Inquérito sobre parto e nascimento, realizado pela Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz).


Os resultados preliminares do estudo revelaram que apenas 45% das mulheres planejaram a gravidez. “A gravidez vem acontecendo por acidente, e o Ministério da Saúde precisa ficar alerta e trabalhar melhor a questão da contracepção”, afirma Maria do Carmo. Já foram entrevistadas 22 mil mulheres grávidas em todos os estados do país, desde 2010, com o objetivo principal de conhecer as complicações maternas e as dos recém-nascidos, de acordo com o tipo de parto no país.

Quando perguntadas se a gravidez era desejada, 56% disseram que não naquele momento. Depois do nascimento, 30% revelaram permanecer insatisfeitas. “O planejamento familiar é importante não apenas por questões econômicas, mas também psicológicas”, aponta a pesquisadora, “As mulheres mais pobres, as adolescentes e as menos instruídas admitiram com maior frequência que tentaram interromper a gestação. O sistema de saúde tem que discutir a questão do aborto”, defende Maria do Carmo.

Redução de danos

O professor e pesquisador da Unicamp Anibal Faúndes ajudou a idealizar um projeto de redução de danos de aborto no Uruguai, onde a legislação também é restritiva. Para ele, manter o aborto ilegal e criminalizado impede que o número de abortos diminua. “A legislação que criminaliza o aborto só faz com que ele se realize de forma insegura e clandestina, com grande risco para a saúde das mulheres pobres”.

Segundo Anibal, na década de 1990, 28% das mortes maternas do Uruguai eram decorrentes de aborto. No hospital universitário da capital uruguaia, onde trabalhou, que concentra um quinto de todos os nascimentos do país e registra casos com complicações, 48% de todas as mortes maternas foram decorrentes de aborto no período de 1999 a 2001.

Ainda que as taxas de mortalidade materna no Uruguai correspondam à metade das registradas no Brasil, um grupo de médicos, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais da maternidade-escola que pertence ao hospital universitário, decidiu agir, dando informação respaldada pela OMS sobre métodos seguros para todas as mulheres com intenção de interromper a gravidez. “O que é proibido é executar o aborto. Não é proibido atuar dando assistência e informação antes e depois”, considera o médico. Se a mulher permanece com o desejo de interromper, é informada com base em evidências científicas sobre os riscos dos diferentes métodos. Esse procedimento se baseia no direito humano à informação e no direito à confidencialidade e ao benefício do progresso científico.

Esse tipo de programa de informação sobre aborto seguro se mostrou eficaz e, segundo ele, é uma boa alternativa enquanto não se muda a legislação. O programa se mantém até hoje. São oferecidas, ainda, alternativas como entregar o bebê para adoção. Em 2002 a prática assistencial do hospital maternidade foi oficializada como política por portaria ministerial, porém limitada àquela instituição.

Em 2004, foi expandida para o resto do país. Desde 2008, não há registro de mortalidade materna decorrente de aborto no país. “A legislação proibitiva não é eficaz para prevenir o aborto e, ao mantê-lo na clandestinidade, não há oportunidade de evitar sua repetição”, observa o médico. “Quando o aborto é legal e realizado dentro do sistema de saúde, se dá aconselhamento em planejamento familiar e se inicia o uso de métodos seguros e eficazes”, ressalta.

Isso explicaria que as taxas de aborto tenham diminuído após a aprovação de legislação mais liberal em países como França e Itália. “Quem trabalha praticando o aborto de forma clandestina e com interesse comercial não tem interesse em prevenir os próximos”, opina, informando que a primeira opção de método é o uso de medicamento abortivo, que no Uruguai é vendido em farmácias, para outras indicações médicas.

As mulheres recebem informações sobre a dosagem eficaz e a via de administração. “No Brasil, houve tentativa de implantação de um programa semelhante. em Campinas, onde trabalho, mas o projeto nunca foi posto em prática”, conta Anibal.

Mário Monteiro, professor do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), também defende que a descriminalização do aborto ajudaria a diminuir a mortalidade materna e preservar a fertilidade das mulheres.

Para ele, a maneira mais segura de executar o procedimento é em ambiente hospitalar, onde o risco de complicações é controlado. “A introdução de objetos no útero, a ingestão de substâncias cáusticas e outras tentativas domésticas de abortamento levam muitas vezes à expulsão incompleta do embrião ou da placenta, que causam infecção e podem provocar infertilidade e levar à morte”, reforça. “É preciso reduzir a ingerência de grupos religiosos no Estado para que o sistema de saúde possa oferecer condições seguras para as mulheres em situação mais vulnerável”.

Publicação original: Radis maio 2012

sexta-feira, 15 de junho de 2012



domingo, 3 de junho de 2012

Arraial de Praia Grande 2012 - A ONG DCM ESTÁ LÁ!


Com informações da Prefeitura de Praia Grande. Foto: Divulgação

A Prefeitura de Praia Grande realiza até 1º de julho, o Arraial de Praia Grande 2012. O evento ocorre todas as sextas, sábados e domingos, das 18 horas à meia noite. Este ano, as comemorações juninas são realizadas no Kartódromo da Cidade, localizado em frente ao Terminal Rodoviário Tude Bastos.

VENHA CONFERIR A BARRACA Nº 23, DA ONG DCM, COM O MELHOR CHURRASQUINHO DE PRAIA GRANDE, COM DIVERSAS OPÇÕES COMO CARNE, FRANGO, LINGUIÇA, KAFTA, CORAÇÃO E QUEIJO. HUM....UMA DELÍCIA! ALÉM DE CERVEJA GELADINHA E REFRIGERANTES. COM RÁPIDO E PERSONALIZADO ATENDIMENTO. VENHAM CONFERIR!

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Evento no Facebook: Clique aqui.