domingo, 27 de fevereiro de 2011

SAUDE DCM - Pediatras defendem que grávidas evitem qualquer tipo e quantidade de bebida alcoólica

Divulgação 
Fonte: Cremesp/O Estado de S. Paulo/ SPSP


Os pediatras reunidos na Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) lançaram publicação em que defendem que as grávidas não consumam álcool, nem mesmo moderadamente. A obra Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido, coordenado pela médica Conceição Segre, aborda as consequências do consumo de bebidas alcoólicas, para mães e bebês, durante a gravidez.

O livro trata do alcoolismo feminino durante a gestação, fatores de risco relacionados aos efeitos do álcool na gestação, feto e recém-nascido, conceitos e quadro clínico da exposição pré-natal ao álcool, diagnóstico, tratamento e prevenção e seguimento de crianças com síndrome alcoólica fetal. A publicação está disponível para download gratuito no site da SPSP.

Estudos realizados no Brasil indicam que de 20% a 40% das gestantes consomem bebida alcoólica. A abstinência de álcool é recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e demais entidades da área, como sociedades de obstetrícia, mas há médicos que liberam uma eventual taça de vinho às pacientes. "Mesmo entre os médicos, a desinformação ainda é grande. Além de alertar a população e os profissionais de saúde, queremos sensibilizar o poder público para a necessidade de incluir advertências nos rótulos de bebidas", alerta Clóvis Constantino, presidente da SPSP e conselheiro do Cremesp.

A pediatra Conceição Segre explica que o álcool ingerido pela gestante ultrapassa a barreira da placenta e se acumula no líquido amniótico. Também atinge o feto pelo sangue do cordão umbilical, prejudicando a transferência de nutrientes e oxigênio. Em cerca de uma hora, os níveis de álcool no sangue fetal são iguais aos da mãe. Mas, como o bebê tem massa corporal menor e o fígado imaturo para metabolizar a substância, calcula-se que o efeito tóxico para ele seja oito vezes maior. Segundo a médica, as consequências dessa intoxicação permanecem a vida inteira e, nos casos mais graves, que caracterizam a síndrome alcoólica fetal e atingem um a cada mil bebês, resultam em malformações na face, diminuição no perímetro cefálico (causada pelas alterações no sistema nervoso) e retardo no crescimento pré e pós-natal.

Para cada caso da síndrome completa, estima-se que haja outros três do chamado "espectro de distúrbios fetais causados pelo álcool", alterações neurológicas percebidas, muitas vezes, quando a criança está em idade escolar, trazendo como possíveis consequências a dificuldade de linguagem, déficit de atenção e hiperatividade.

“O nível seguro para o consumo é desconhecido e, por isso, a não ingestão de álcool pela grávida e pela mulher que deseja engravidar é a única forma de prevenção”, recomenda Conceição.

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