segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A gravidez na adolescência tem diminuído no Brasil?

Fonte e foto: Divulgação

O dia 26 de setembro é dedicado mundialmente à Prevenção de Gravidez na Adolescência. A diretora do Instituto Kaplan, Maria Helena Vilela, é educadora sexual e fala sobre prevenção.

O trabalho com os adolescentes está tendo uma resposta positiva. Em 2004,
quando nós começamos o trabalho do Projeto Vale Sonhar, o índice de gravidez
na adolescência no Brasil era em torno de 28 %. Hoje, a última referência
que nós temos do DATASUS é de 2007, e estes dados nos mostra que houve uma
diminuição de quase 8 pontos percentuais. Então atualmente, esse índice está
em torno de 20% de gravidez na adolescência no Brasil. Isso mostra que todo
o trabalho com a educação sexual, de prevenção que vem sendo feito, pode ter
tido sim, um impacto positivo na vida desses jovens e contribuído para a
redução desses números de gravidez na adolescência.

É essencial que haja educação sexual nas escolas?


Sem dúvida. A gravidez na adolescência tem muitos fatores, mas
sem dúvida nenhuma, a educação sexual é um dos principais que interferem na
decisão ou na condição de uma jovem de engravidar na adolescência. É
fundamental que os adolescentes não apenas saibam, mas de fato tenham
consciência do porque este corpo se reproduz, o impacto que uma gravidez
pode trazer na vida deles, e como evitar em um momento que eles não estão
prontos para isso. Portanto, o trabalho com educação sexual é imprescindível
na vida desses jovens. Vale ressaltar a informalidade com que a questão
sexual é tratada hoje em dia e muitos jovens não estão preparados para viver
neste ambiente liberal criado pela própria sociedade. A facilidade que veio
com o avanço da ciência, como exames de DNA e pílulas anticoncepcionais
permite que o sexo não mais seja visto apenas com o objetivo de reprodução.
Se sexo faz parte da vida do homem, portanto é natural que, se houver
estimulo sexual, estes meninos reajam a estes estímulos e se desejem.
Portanto, eles precisam ser bem preparados para esta realidade em que eles
vivem hoje, daí a importância do trabalho de educação nas escolas, via
internet, nos postos de saúde, enfim, onde os jovens estiverem. O que eles
precisam é de um espaço para que eles tenham consciência de que adolescência
não é o melhor momento para eles terem um filho.




Essa liberdade de informação da internet não atrapalha os jovens a dividir o que é o joio do trigo? Como o Instituto Kaplan está usando essas novas ferramentas de informação para também balizar o jovem?

A internet abre o espaço para que os jovens tenham acesso a todo
o tipo de informação e obviamente, separar o joio do trigo para o jovem é
muito difícil. Então o papel do Instituto Kaplan como uma instituição
educadora nesta área de sexualidade é já dar o joio separado do trigo. E é
isso que nos procuramos fazer no nosso trabalho, buscar a atenção do jovem
para aquilo que ele de fato precisa saber e saber usar a sua sexualidade em
seu benefício e não contra ele mesmo. Por isso, não negamos a nenhum jovem
qualquer tipo de informação que eles queiram saber e sempre nos baseamos em
critérios científicos e de investigações que nós ou outros profissionais de
outras instituições tenham feito que embasam o nosso trabalho e as nossas
observações a fazer para eles.

O Instituto Kaplan tem um trabalho pioneiro, que é o Projeto Vale Sonhar que
em alguns estados como Alagoas, São Paulo e Espírito Santo já é uma política
pública que é o ensino da educação sexual com base no futuro, com os sonhos
do futuro, dentro da disciplina de biologia. Quais têm sido os resultados
efetivos dessa ação?


Os resultados são bem animadores! Nós conseguimos obter por meio
de um trabalho de multiplicador (em que instruímos o coordenador pedagógico
para que ele prepare os seus professores para realizar as oficinas do Vale
Sonhar), uma diminuição de 50% do número de gravidez nas escolas das cidades
Serra e Cariacica (ES) em 2008 e 2009. A partir dessa experiência, esse
trabalho foi expandido para todo o estado do Espírito Santo. No estado de
Alagoas que foi um trabalho desenvolvido em 2008 e 2009, também por este
meio de multiplicador, conseguimos obter um resultado em torno de 35% de
diminuição no número de gravidez na adolescência. Este trabalho, que foi o
primeiro realizado na Secretaria de Educação do Estado de Alagoas, foi
implantado em todas as escolas estaduais do estado, onde todos os municípios
puderam desenvolver um trabalho monitorado pelo Instituto Kaplan em todos os
momentos. São Paulo, que já é uma rede infinitivamente maior, (enquanto em
Alagoas nós temos 187 escolas no estado inteiro de Ensino Médio, em São
Paulo nós temos uma rede de 3.668 escolas), é um universo fantástico e o
Instituo Kaplan fica muito feliz que esta secretaria tenha implementado a
metodologia do Vale Sonhar dentro da matéria de biologia. E com isso, a
gente conseguiu nesta primeira avaliação de 2008 e 2009, uma diminuição em
torno de 20% do número de jovens que deixaram de ficar “grávidos” após as
oficinas do Vale Sonhar. Isso é um dado muito significativo, já que na rede
de São Paulo, são 600.000 alunos e podemos inferir que aproximadamente
60.000 jovens deixaram de engravidar nesse ano de 2009. É um resultado muito
gratificante não só para o Instituto Kaplan como para todos nós que queremos
que os nossos jovens e nossa população tenham uma melhor qualidade de vida.

Qual a reflexão que o Instituto Kaplan deixa nesse Dia Mundial da Prevenção
da Gravidez na adolescência?


A reflexão é para os pais e não para os jovens. Embora os
adolescentes tenham vida própria, eles são frutos de uma educação, isto é,
boa parte do que fazem e acreditam ainda está no núcleo familiar. O que eu
gostaria de dizer para os pais é que sexo faz parte da vida da gente, é uma
necessidade como outra qualquer e não é por si só ruim, pelo contrário sexo
é uma coisa boa. Agora se ele não for bem trabalhado, se a pessoa não souber
como lidar com a questão sexual, isto pode trazer conseqüências negativas
para a vida delas. Ou nós começamos a refletir sobre a vida sexual como algo
positivo, na qual nós precisamos de fato olhar para ela com carinho e
estimular os nossos filhos a buscarem consultas médicas, e usarem os métodos
contraceptivos ou o que nós vamos ter aí é uma dificuldade que vai além das
possibilidades do Instituto Kaplan. Nós vamos até um ponto, mas agora, nós
precisamos da ajuda das famílias, de toda a comunidade, para que a gente
perceba que hoje em dia não dá mais para as meninas largarem a escola por
causa de uma gravidez na adolescência.

www.kaplan.org.br

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